O que é ser-se actualmente um cidadão de um país, num mundo global? E se se for cidadão de vários?

Tags: , , , , ,

A mobilidade global aliada aos recentes processos de descolonização, ainda muito presentes na memória de quem os viveu, originou espaços de pertença múltipla.

Por um lado, existe a carga cultural do ex-colonizador que se encontra instalada nas formas urbanas e arquitectónicas do “ex-colonizado”, e por outro , uma construção, que parte dessa herança legada e que poderá ser considerada artificial, mas serve de base–referência ou factor de afastamento, para um novo começo.

As questões surgem, obviamente, duma situação continuada, cujos contornos são algo esquizofrénicos, mas que se quer em transição para uma nova realidade assente em ideais negociados por interacção e prática de vida.

Se o documento afirma, ou prova, a pertença ou pertenças de um indivíduo a um espaço ou espaços geopolíticos, por outro lado, de que forma é que essas múltiplas pertenças influenciam o desenvolvimento da tal nova realidade, para esse indivíduo?

Contrariamente ao que seria de supor, existe uma “miscenização”, manifestada na língua ou hábitos colectivos. Uma “crioulização” que gera uma nova realidade, mais rica em referências que, dado o seu estado de constante transformação, não está ainda completamente definida. Contudo, encontra-se acima de qualquer divisão manifestada por um documento ou documentos.

Faz-se primeiramente uma referência ao que se considera actualmente por pós-colonialismo, mas o facto é que, com o fenómeno da Globalização, o mesmo poderia ser descrito para um número crescente de migrantes, independentemente da sua nacionalidade; e das relações que estabelecem entre o seu país de origem e o país de acolhimento.

A importância do documento, do passaporte, surge como um símbolo do livre acesso a duas realidades, não resultando exclusivamente daqui qualquer referência ao processo de adaptação e integração, que os indivíduos nesta situação estão sujeitos. Apenas através da prática – colectiva e ritualizada, terão uma oportunidade de expressar novas formas de expressão e pertença colectiva.

Bookmark and Share

© 2009 Tráfico. All Rights Reserved.

This blog is powered by Wordpress and Magatheme. Thank you Bryan Helmig.